Bücherverbrennung / Noites de barbárie


Bücherverbrennung é um termo alemão que significa queima de livros e é associado aos eventos organizados entre 10 de maio e 21 de junho de 1933, poucos meses depois da chegada ao poder de Adolf Hitler. Neste período, nas principais cidades alemãs, atendendo a uma proposta formulada por Goebbels, organizadas estudantis apoiadoras do nazismo, foram realizados eventos públicos nos quais foram queimados centenas de milhares de livros.

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Bücherverbrennung é um termo alemão que significa queima de livros e é associado aos eventos organizados entre 10 de maio e 21 de junho de 1933, poucos meses depois da chegada ao poder de Adolf Hitler. Neste período, nas principais cidades alemãs, atendendo a uma proposta formulada por Goebbels, organizadas estudantis apoiadoras do nazismo, foram realizados eventos públicos nos quais foram queimados centenas de milhares de livros.

João Baptista Pimentel Neto*

Pimentel-PerfilHá exatamente 85 anos, o modelo educacional implantado pelos nazistas na Alemanha, apresentou ao mundo seus resultados. Naquele 10 de maio, iniciou-se uma série de eventos destinados a promover a queima de milhares de livros cujo conteúdo fosse considerado crítico ou desviasse dos padrões impostos pelo regime nazista.

Proposta por Goebbels para demonstrar a hegemonia cultural do Nazismo, as Bücherverbrennungs deveriam acontecer como manifestações espontâneas das comunidades universitárias da Alemanha. Assim, com patrocínio direto das ligas estudantis, e apoio dos professores, as queimas de livros foram realizadas em praças públicas das principais cidades alemãs.

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Noites de histeria e barbárie, os Bücherverbrennungs, foram atos que culminaram uma violenta campanha iniciada pelas fraternidades estudantis, em particular pelos membros das fraternidades, do Destacamento Tempestade (SA) e da Tropa de Proteção (SS), que organizaram e participaram entusiasticamente destes eventos.

A organização do evento realizado coube às associações de estudantes alemãs Liga dos Estudantes Alemães Nacional-Socialistas (NSDStB) e Comitê Geral dos Estudantes (AStA), que, com grande zelo, competiram entre si, tentando, cada uma, provar que era melhor do que a outra. Foram queimados cerca de 20 000 livros, a maioria dos quais pertencentes às bibliotecas públicas, de autores oficialmente tidos como “não alemães” (undeutsch).

Autores banidos

O poeta nazista Hanns Johst foi um dos que justificaram a queima, logo depois da ascensão do nazismo ao poder, com a “necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã”.

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Entre os livros queimados pelos Nazistas, contavam-se obras quer de autores falecidos, como também contemporâneos, perseguidos pelo regime, muitos deles tendo emigrado. Na lista, encontramos, entre outros:

Thomas MannHeinrich MannWalter BenjaminBertolt BrechtLion FeuchtwangerLeonhard FrankErich Kästner (que, anónimo, assistia na multidão), Alfred KerrRobert MusilCarl von OssietzkyErich Maria RemarqueJoseph RothNelly SachsErnst TollerKurt TucholskyFranz WerfelSigmund FreudAlbert EinsteinKarl MarxHeinrich Heine e Ricarda Huch.

Estranhamente, Oskar Maria Graf não foi incluído na lista. Para seu espanto, os seus livros não foram banidos como até foram recomendados pelos nazis. Em resposta, ele publicou um artigo intitulado Verbrennt mich! (“Queimem-meǃ”) no jornal de Viena Arbeiter-Zeitung (Jornal dos Trabalhadores) (texto em alemão aqui). Em 1934, o seu desejo foi tornado realidade e os seus livros foram, também, banidos pelos Nazis.

Repercussão

A opinião pública e a intelectualidade alemãs ofereceram pouca resistência à queima. Editoras e distribuidoras reagiram com oportunismo, enquanto a burguesia tomou distância, passando a responsabilidade aos universitários. Também os outros países acompanharam a destruição de forma distanciada, chegando a minimizar a queima como resultado do “fanatismo estudantil”.

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Entre os poucos escritores que reconheceram o perigo e tomaram uma posição, estava Thomas Mann, que havia recebido o Nobel de Literatura em 1929. Em 1933, ele emigrou para a Suíça e, em 1939, para os Estados Unidos. Quando a Faculdade de Filosofia da Universidade de Bonn lhe cassou o título de doutor honoris causa, ele escreveu, ao reitor:

“Nestes quatro anos de exílio involuntário, nunca parei de meditar sobre minha situação. Se tivesse ficado ou retornado à Alemanha, talvez já estivesse morto. Jamais sonhei que, no fim da minha vida, seria um emigrante, despojado da nacionalidade, vivendo desta maneira!”

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Também Ricarda Huch retirou-se da Academia Prussiana de Artes. Na carta ao seu presidente, em 9 de abril de 1933, a escritora criticou os ditames culturais do regime nazista: “A centralização, a opressão, os métodos brutais, a difamação dos que pensam diferente, os autoelogios, tudo isso não combina com meu modo de pensar”, justificou. Em 1934, a “lista negra” incluía mais de três mil obras proibidas pelos nazistas.

Como disse o poeta Heinrich Heine: “Onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas.”

Praças da Cerimônia

Ver Também:

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Memorial para a queima de livros de 1933, no chão da praça Römerberg, em frente à prefeitura de Frankfurt, em Hesse, na Alemanha.

Um comentário em “Bücherverbrennung / Noites de barbárie

  1. Republicou isso em e comentado:

    Há exatamente 85 anos, o modelo educacional implantado pelos nazistas na Alemanha, apresentou ao mundo seus resultados. Naquele 10 de maio, iniciou-se uma série de eventos destinados a promover a queima de milhares de livros cujo conteúdo fosse considerado crítico ou desviasse dos padrões impostos pelo regime nazista. João Baptista Pimentel Neto​*

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